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ENSINAMENTOS DE RAMANA

 Bhagavan Sri Ramana Maharshi

 

Eis um resumo dos ensinamentos do nosso Guru, feito pelo seu Ashrama da Índia, e traduzido por Paramahansa Mahabhutani. Ver também a página em Inglês. ver!

Ramana era um Professor silencioso, se há algum. Seria mais apropriado chama-lo de o Silencioso, pois ensinar denota dualidade, o professor e aquele a quem é ensinado, enquanto Ramana era, como um devoto escreveu, “a Pura Essência Não-dualista.” Seu ensino mais direto e profundo era transmitido em silêncio.

Contudo, quantos haveria que pudessem imediatamente ouvir ou experienciar a palavra não dita e não escrita? Devotos e visitantes faziam perguntas e em sua ilimitada compaixão, Bhagavan as respondia em seu modo próprio, inimitável, como os seguintes excertos mostrarão.

Felicidade

Todos os seres desejam felicidade sempre, felicidade sem qualquer traço de tristeza. Ao mesmo tempo, todos amam a si próprios antes de tudo. A causa desse amor é apenas felicidade. Portanto, essa felicidade deve repousar no Ser Interno. Ademais, essa felicidade é experienciada diariamente por todos, no sono, quando não há mente. Para obter essa felicidade natural deve conhecer-se a si próprio. Para tanto, a Auto-Pesquisa 'Quem sou Eu?' é o principal meio.

Consciência

Existência ou Consciência é a única realidade. Consciência mais estado desperto, chamamos de vigília. Consciência mais estado dormindo, chamamos de sono. Consciência mais estado de sonho, chamamos de sonho. Consciência é a tela na qual os quadros vem e vão. A tela é real, os quadros são meras sombras nela.

Mente

Mente é uma força maravilhosa inerente ao Ser. O que surge neste corpo como 'Eu' é a mente. Quando a mente sutil emerge através do cérebro e dos sentidos, os nomes e formas grosseiros são conhecidos. Quando ela permanece no Coração, nomes e formas desaparecem. Se a mente permanence no Coração, o 'Eu' ou o ego que é a fonte de todos os pensamentos, partirá, e o Ser, o Real, Eterno 'Eu' unicamente, brilhará. Quando não há o mais leve traço do ego, há o Ser.

Quem Sou Eu? Pesquisa

De todos os pensamentos, a fonte é o pensamento 'Eu'. A mente somente desaparecerá pela Auto-Pesquisa 'Quem sou Eu?' O pensamento 'Quem sou Eu?' destruirá todos os outros pensamentos e finalmente a si próprio. Se outros pensamentos surgirem, sem tentar completá-los, deve-se perguntar para quem este pensamento surgiu. Que importa quantos pensamentos surjam? À medida em que surge, deve-se ficar atento e perguntar para quem está o pensamento ocorrendo. A resposta será 'para mim'. Se você perguntar 'Quem sou Eu?' a mente voltará para sua fonte (ou para onde ela se originou). O pensamento que surgiu também submergirá. À medida em que você pratica isto mais e mais, a força da mente para permanecer como sua fonte é aumentada.

Entrega

Há duas maneiras de se alcançar a entrega. Uma é olhando para dentro da fonte do 'Eu' e imergindo naquela fonte. A outra é sentindo 'Eu sou impotente por mim mesmo, Deus somente é todo poderoso, e, exceto lançando-me completamente n´Ele, não há outra maneira de obter segurança para mim', e assim gradualmente desenvolvendo a convicção de que Deus somente existe e o ego não conta. Ambos os métodos conduzem à mesma meta. Entrega completa é outro nome para jnana ou libertação.

Os Três Estados:

Vigilia, Sonho e Sono Profundo

Não há diferença entre os estados de sonho e os estados de vigília, exceto que o sonho é curto e a vigília longa. Ambos são resultantes da mente. Nosso estado real, chamado turiya (quarto), está além dos estados de vigília, sonho e sono.

 Graça e Guru

Eu nunca disse que um Guru não seja necessário. Mas um Guru não precisa estar sempre em forma humana. Primeiro a pessoa pensa que é inferior e que há um superior, que tudo sabe, um todo poderoso Deus que controla o seu destino e do mundo, e o adora ou faz Bhakti. Quando alcança um certo estágio, e se torna preparado para a Iluminação, o mesmo Deus que ele vinha adorando vem como um Guru, e o conduz adiante. O Guru vem somente para dizer-lhe que ‘Deus está dentro de você. Mergulhe para dentro e realize-O.’ Deus, Guru e o Ser são o mesmo.

Auto – Realização

O estado que chamamos de realização é simplesmente ser você mesmo, nada conhecendo ou se tornando algo. Se a pessoa se realiza, é aquilo que apenas é, e que apenas tem sempre sido. Não pode descrever esse estado. Pode somente ser isso. Naturalmente, falamos vagamente de Auto-Realização, na falta de um termo melhor. Aquilo que é, é simplesmente paz. Tudo que precisamos fazer é ficar quietos. Paz é nossa natureza real. Nós a desperdiçamos. O que precisamos é deixar de destrui-la.

Coração

No centro da cavidade do Coração, o solitário Brahma brilha por si mesmo como o Atman (Ser) no sentimento do 'Eu-Eu'. Procure o Coração mergulhando dentro de você mesmo, seja com o controle da respiração, ou com o pensamento concentrado na pesquisa do Ser. Você assim se fixará no Ser.

Renúncia

Perguntado “Como um grihastha (dono-de-casa) se comporta no esquema de Moksha (liberação?” Bhagavan disse, “Por que você pensa que é um grihastha? Se você sai como um sannyasi (asceta), um pensamento similar de que você é um sannyasi o perseguirá. Mesmo que você continue no comando da casa ou a ela renuncie, e vá para a floresta, sua mente irá com você. O ego é a fonte de todo pensamento. Ele cria o corpo e o mundo e faz com que você pense que é um grihastha . Se você renunciar ao mundo, ele (o ego) apenas substituirá o pensamento de sannyasi pelo de grihastha e o ambiente da floresta pelo da casa. Mas os obstáculos mentais ainda estarão lá. Eles até aumentarão nas novas cercanias. Nada o ajudará com a mudança de ambiente. O obstáculo é a mente. Ela deve ser subtraída, tanto faz em casa como na floresta. Se você puder faze-lo na floresta, por que não em casa? Assim, por que mudar de ambiente? Seus esforços podem ser desenvolvidos agora mesmo – seja qual for o ambiente em que se encontre agora. O ambiente nunca se modificará de acordo com o seu desejo.”

Destino e Livre Arbítrio

Livre arbítrio e destino sempre existem. Destino é resultante de ações passadas; refere-se ao corpo. Deixe o corpo agir como bem lhe aprouver. Por que está preocupado com isso? Por que você presta atenção a isso? Livre arbítrio e destino duram tanto quanto o corpo. Mas jnana transcende a ambos. O Ser está além do saber e da ignorância. Aconteça o que acontecer, ocorre como resultante do passado de alguém, da vontade divina e de outros fatores. Há apenas dois meios de conquistar o destino ou ser independente dele. Um é indagar para quem é este destino e descobrir que somente o ego está amarrado pelo destino e que o ego é não-existente. O outro meio é matar o ego, submetendo-o completamente ao Senhor, compenetrando-se da própria impotência e dizendo o tempo todo, 'Não Eu, mas Vós, oh Senhor' e desistindo dos sentidos do 'Eu' e ‘meu’, deixando que o Senhor faça o que Ele gostaria de fazer com você. Completa anulação do ego é necessária para conquistar o destino, tanto faz se você obtiver esta anulação através de auto-investigação ou bhakti marga (senda).

O Sábio (Jnani)

O jnani atingiu a Liberação mesmo enquanto vivo, aqui e agora. É imaterial para ele, como, onde e quando ele abandona o corpo. Alguns jnanis podem parecer sofrer, outros podem estar em samadhi; ainda outros podem desaparecer de vista antes da morte. Mas isto não faz diferença para a condição de jnana. Tal sofrimento é aparente, parece real para o observador, mas não é sentido pelo jnani, visto que ele já transcendeu a errônea identidade do Ser com o corpo.

O jnani não pensa que ele é o corpo. Ele nem vê o corpo. Ele vê somente o Ser no corpo. Se o corpo não estiver lá, mas somente o Ser, a questão de seu desaparecimento em qualquer forma não surge.


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