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ANTONIO FERREIRA DE CARVALHO, o Jornalista de Cantagalo
ANTONIO FERREIRA DE CARVALHO, o jornalista de Cantagalo, nasceu a 2 de novembro de 1908, em Bom Jardim, município que já fez parte de Cantagalo.
É o caçula de uma irmandade de seis: Maria, Armindo, Guilhermino, Conceição e José, todos falecidos.
Seus pais, José Antonio de Carvalho e Rosa da Costa Carvalho, portugueses descendentes dos Lello e Ponce de León, emigraram para o Brasil no apagar das luzes do século passado, quando esperavam o nascimento de seu segundo filho. Estabelecendo-se primeiramente em
Santa Maria Madalena, transferiram-se, poucos anos depois, para Bom Jardim.
Músico militar em sua terra natal, José Antonio de Carvalho, a par de suas atividades como coletor estadual, dirigia a Banda Musical "Lyra Bonjardinense", com inexcedíveis zelo e competência. Produziu centenas de arranjos, e compôs inúmeras peças musicais.
Na residência do maestro, o ambiente, por múltiplos detalhes, evocava a arte musical: piano, violinos, flautas, clarinete, flautins, estantes e partituras denunciavam que ali existia uma verdadeira orquestra familiar, a mesma que animava as sessões do cinema local, quando os filmes ainda não tinham trilha sonora...
Espírito irrequieto e inquiridor, Antonio Ferreira de Carvalho, além de se dedicar à música, enveredou pela arte fotográfica, as artes gráficas e o jornalismo.
Aprendiz em Bom Jardim, foi para Cantagalo em 19 de dezembro de 1925, trabalhar profissionalmente na gráfica do Sr. Júlio Bastos Ferreira, cuja filha mais nova, Maria, viria a tornar-se sua esposa em 18 de julho de 1931.
Em 1936, Cantagalo estava sem jornal, e Antonio Carvalho veio suprir a lacuna, passando a editar o tradicional CORREIO DE CANTAGALLO, que, fundado por Cesar Freijanes, era então reeditado. Antonio Carvalho figurava
no cabeçalho como diretor-proprietário, trabalhando juntamente com Júlio Santos Filho (diretor), Ary Vieira e Cássio Passos Barreto (redatores) e contando com a eficaz colaboração de Joaquim Pinto Gomes (vulgo Moleque), competente e dedicado gráfico, conforme consta de edição de 26 de julho de 1936 (ano 59, número 16).
Faltou o necessário apoio financeiro, por parte dos que pretendiam fazer jornalismo por questões políticas ou simples diletantismo. Antonio Carvalho teve que arcar com todas as despesas, inclusive as de arrendamento das oficinas gráficas, pertencentes à antiga TRIBUNA DE CANTAGALLO, cujo proprietário, cansado desse tipo de luta, já havia desistido de editar jornal em Cantagalo. Diante da situação, resolveu o jornalista acabar com o jornal "político' CORREIO DE CANTAGALlO e fundou, assumindo toda a responsabilidade, o CANTAGALLO NOVO, órgão independente, em cujo cabeçalho já não aparecem os nomes de outrora.
Em 1940, a família Carvalho se transfere para Bom Jardim, onde Antonio Carvalho passou a editar o jornal A VERDADE, que durou até o final de 1942.
Retornando a Cantagalo, em 1943, com as oficinas gráficas, volta a editar o CANTAGALO NOVO, sediado na Praça 15 de Novembro, 28, onde é hoje o Cantagalo Turismo Hotel. Organiza também uma representação da Companhia Internacional de Capitalização.
Já em 1945, o irrequieto jornalista faz circular o CANTAGALO NOVO (12 de agosto de 1945, ano VIII, número 25) completamente só no cabeçalho, onde se indica que a redação era na Praça 15 de Novembro, 28, e as oficinas na Rua Rodolfo Albino, 39-B.
Todavia, em 1949, Antonio Carvalho, a convite de Bruno De Martino, transferiu as oficinas gráficas para Miracema. Editou, então, o JORNAL DE MIRACEMA, que teve ótima aceitação, e ainda fundou a ORQUESTRA MIRACEMENSE, a qual, composta de exímios músicos locais e dele próprio, abrilhantou memoráveis festas no Aero-Clube.
Foi um período luminoso e fugaz como um raio, pois, já no final do ano, vemo-lo novamente em Cantagalo, com o jornal e um SERVIÇO DE ALTO-FALANTES, precursor da radiofonia no município!
O Serviço de Alto-Falantes fazia sucesso com seus programas de músicas selecionadas e especialmente com aquele em que se podia oferecer uma música a pessoa amiga ou amada!...
Quando, por volta de 1950, instalado no prédio da Rua Benjamim Constante, 122 (atual Chapot Prevost), Antonio Carvalho montou uma loja de eletrodomésticos, vendendo rádios a bateria, motocicletas, bicicletas, geradores de eletricidade movidos a óleo Diesel (para propriedades rurais) e material de construção, representando a Spinelli S/A, de Nova Friburgo. Mantinha, ainda, o jornal e o serviço de alto-falantes.
Mudou-se para outro local em 1951, instalando-se com jornal e serviço de alto-falantes ém prédio pertencente à família Paula, um antigo sobrado, hoje demolido, ao lado da "Casa Golinelli", que ficava bem na esquina da Praça 15 de Novembro. Foi aí que, recebendo da BBC de Londres, como de hábito, uma remessa de discos, deparou-se com alguns que, colocados no toca-discos, emitiam estranhos sons, estridentes e totalmente fora de sintonia!... Antonio e Sebastião, pai e filho, examinaram, curiosos, um dos discos. Foi quando o jornalista, retardando com os dedos a rotação do toca-discos, provocou o surgimento de uma agradável melodia!... Era o primeiro disco "long-playing", de 33 1/3 rotações por minuto que chegava a Cantagalo, sem que ninguém disso tivesse notícia. Nem as rádios do Rio de Janeiro faziam qualquer menção a tais discos, que estávamos recebendo da Inglaterra!... Em 1953, a sede do jornal e do serviço de alto-falantes era na Rua Nilo Peçanha, 90 (antiga Rua do Rosário). Foi um período de progresso para Cantagalo, no qual, com a colaboração da imprensa local, vários melhoramentos se incorporaram à vida da cidade, como a nova sede do Cantagalo Esporte Clube, o novo Cinema Eldorado e outros. O jornal promoveu a Festa da Primavera, abrilhantada pela ORQUESTRA CANTAGALENSE (OC), integrada por Antonio Carvalho, Carlos Gomes Pereira, Juvenal Ferreira Goulart, Celso Alves, Azer Ribeiro, Bizinho Rocha, Dilinho e Lourival Assis, José Vieira e Luiz Vieira, Roberto Carvalho e outros. Aliás, como exímio musicista, Antonio Ferreira de Carvalho integrou, por muitos anos, a Sociedade Musical 15 de Novembro, de Cantagalo, à qual prestou integral apoio e franca colaboração. Promoveu, ainda no ano de 1953, a homenagem a MIGUEL SANTOS, que deu nome a uma praça, e prestigiou a FESTA DOS CARECAS, como de hábito.
"O NOVO CANTAGALO" surgiu em 16 de agosto de 1953, em substituição ao CANTAGALO NOVO. Constam do cabeçalho: Antonio F. de Carvalho (diretor), Sebastião A.B. de Carvalho (redator-chefe) e Amélia Tomás (redatora literária). Memoráveis campanhas foram empreendidas ou apoiadas pelo jornal: Contra desmatamento; contra jogos de azar; pelo saneamento da cidade; apoio ao Curso Normal Rural; apoio à Maternidade Amelie Boudet (da Sociedade Espírita Jesus Escola); campanha contra as péssimas condições do matadouro municipal. O jornal apoiou a criação do DAEL e acompanhou com entusiasmo a instalação, na Batalha, da antena que possibilitou, pela primeira vez, a recepção de TV na cidade, no dia 07.04.60.
Merecem destaque, ainda: 1) A volta da grafia original de Monnerat, que havia sido alterada; 2) A campanha, com artigos de Antonio Rocha e Silva Jr., pela construção da Estrada de São Martinho; 3) A campanha para criação da Semana Euclidiana e do "Museu ou Casa de Euclides da Cunha", conforme consta de documento publicado pelo jornal em sua edição de 16.04.61. Somente em 1957 o jornal se estabeleceu em sede própria: Rua Benjamim Constant, 56, aí permanecendo até 1963, quando a família Carvalho se mudou para Niterói, a fim de que seus filhos pudessem cursar faculdades. Homenageado pela Assembléia Legislativa do Estado, (4.11.64), nome de escola em Cantagalo (21.07.91) e tendo seu retrato entre os Vultos de Cantagalo na Sala Nobre da Casa de Euclides da Cunha, o Jornalista de Cantagalo partiu para o Oriente Eterno em 30.01.1989, deixando uma obra que, pelo seu valor, transcende o espaço e o tempo de nossas vidas!
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