MUSEU VIRTUAL: HISTÓRICO, ANTROPOLÓGICO E GEOLÓGICO

 DE CANTAGALO RJ

CEPEC - Centro de Estudos e Pesquisas Euclides da Cunha

DEFENDENDO A ECOLOGIA DESDE 1959

FAZENDA SANTA TEREZA

Pesquisado e escrito em 1991

                Santa Thereza pertence à família do Dr. Sebastião Faria desde o final da década de 1890. Contou-nos ele que o seu avô, Sr. José Domingos Faria, era administrador geral da Fazenda São Clemente e de outras propriedades do Barão de Nova Friburgo. Ele trabalhou muito, sendo o homem que, numa determinada época, salvou da ruína financeira as referidas propriedades. Como os Condes não dispunham de numerário para retribuir-lhe, deram ao Sr. José Domingos, cerca de 207 alqueires, que hoje correspondem à área da Fazenda de Santa Thereza. Nesse local, que é a sede da fazenda, tinha o Sr. Barão cerca de 60 colonos.

                Assumindo a propriedade, continuou o Sr. José Domingos o trabalho. Manteve e ampliou a magnífica lavoura de café e de cereais, própria para criação de bovinos, e, com energia gerada no local pelo aproveitamento dos recursos fluviais da região, beneficiava os seus produtos.

                Esse patrimônio, aumentado e conservado, foi passando para os descendentes e hoje o Dr. Sebastião Faria, apesar das dificuldades dos dias atuais, conserva em pleno funcionamento o que recebeu, e tem planos para recuperar muito do que ao longo dos anos foi desativado.

                Antes do atual proprietário, Santa Thereza conheceu os seguintes: Barão de São Clemente, depois Conde de São Clemente; José Domingos dos Santos Faria (avô), Firmino João Faria (1911) - pai; Balbina dos Santos Faria (mãe).

                Localiza-se Santa Thereza a 30km da sede do Município de Cantagalo, no segundo Distrito, Boa Sorte, de cuja sede dista 7km.  Sua área é de 30 alqueires, sendo parte em pasto, parte em culturas e parte em matas.

                Anteriormente, essa fazenda media 108 alqueires, sendo 70 em mata virgem. Hoje está dividida entre os herdeiros, que são: Dr. José Maria, Dr. Sebastião, Sra. Custódia, Sr. Orlando, Sra. Ernestina, Sra. Diva e Sr. Waldir.

                No passado, a fazenda possuia magnífica lavoura de café e de cereais, além de cana, fabricando cachaça no seu alambique, cujas instalações, num moinho onde também se gerava energia elétrica, constituem até hoje interessante atração turística. Além da criação de gado, produziam milho e fubá.

                Atualmente, cultivam-se: milho, feijão, arroz, frutas (goiaba, manga, banana). O cultivo da cana destina-se apenas à alimentação do gado.  Há criações de patos, gansos, perus e porcos. Total de cabeças de gado: 80 (sendo 60 grandes e 20 pequenos).

                Outrora, a serraria funcionava ativamente. O engenho de cana está sendo reconstituído, assim como o moinho de milho e o engenho de água para gerar energia elétrica, como antigamente. Também um engenho para beneficiamento de arroz está nos planos do atual proprietário.

                A mão de obra, que antes era escrava, isto é, na época do Barão, hoje provém de apenas 5 colonos. Na época do Barão, eram 60.

  

O pesquisador Sebastião Carvalho, na fazenda.                                   Detalhes de maquinário antigo..

                A Fazenda de Santa Thereza, hoje de propriedade do Dr. Sebastião Faria, que ficou com a sede e 30 dos 108 alqueires primitivos, é banhada pelo ribeirão das Areas, que forma uma cachoeira com a capacidade de 200 HP.  Conserva-se até hoje um imponente arco, que, construído na época do Império, com o trabalho escravo, emoldura a estrada, interligando as várias dependências de um grande engenho de água, o qual, além de produzir energia elétrica, moe cana e cereais. Em suas dependências há instalações para o fabrico de melaço, rapadura e aguardente.

                Nas instalações do engenho as peças são muito antigas. A tampa do forno porta a seguinte inscrição: Fundição Alegria - Godinho & Cia. Prainha 22.

                A estrada que conduz à fazenda foi aberta para que D. Pedro pudesse passar, de charrete. A Casa Grande mantém as características da época do Império. Apenas alguns detalhes e o muro da varanda foram alterados. O teto é bem antigo. Há móveis da época do Império. Na sala de visitas, há um quadro pintado a crayon, da família do Barão de São Clemente. Nele, escrito em francês: Offeret à son cher papi par Eulalia Amelia Barcellos. Mars, 1862. (Oferecido a seu querido papai por Eulália Amélia de Barcellos - março de 1862).  Há um outro quadro, gravado por P. Cottin e impresso por Brochart, com o título de Le Hamac - (A Rede).  Num dos quartos, os móveis pertencentes aos pais do Sr. Sebastião conservam-se em excelente estado e pleno funcionamento.  Na sala há móveis como um sofá com pés de leão, além de duas cadeiras de braço de palhinha inglesa, da época imperial.

                Perguntado sobre como poderia o poder público ajudar no progresso da fazenda, disse o proprietário que a Prefeitura deveria tentar obter financiamento federal para ajuda à agropecuária. Queixou-se da dificuldade de mão de obra na região, referindo-se a certos abusos na interpretação e aplicação das leis trabalhistas.


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