CEPEC

Centro de Estudos e Pesquisas Euclides da Cunha

DEFENDENDO A ECOLOGIA DESDE 1959

MINERAÇÃO: DESBRAVAMENTO DOS  SERTÕES DO MACACU - REGIÃO DE CANTAGALO

  Mão de Luva: História e Lenda    Portugal e as áreas Proibidas

  Minas versus Rio de Janeiro    O tesouro do Luva

PESQUISAS DO CEPEC ESCLARECEM FATOS IMPORTANTES SOBRE O MÃO DE LUVA

  Mão de Luva: História e Lenda

        Durante muitos anos, cantagalenses e seus vizinhos acreditaram na lenda do Mão de Luva, como sendo um fidalgo que, tendo vivido uma malfadada história de amor com a Rainha Maria I, de Portugal, veio para o Brasil tentar obter riqueza, a fim de, quando as condições políticas se tornassem menos adversas, pudesse retornar à pátria e reconstruir sua vida ao lado da amada, se possível...

Essa versão romântica sobre a vida do desbravador dos Sertões do Macacu, denominação da Cantagalo do século XVIII, permaneceu por muito tempo, divulgada por um historiador local, Acácio Ferreira Dias, e uma literata muito respeitada, Amélia Tomás... Também escritores dos municípios vizinhos e o próprio IBGE aceitaram a versão, colocando-a em suas publicações...

Mas um sociólogo contemporâneo, jornalista que se fez em Cantagalo e em Cantagalo viveu fazendo jornalismo e lecionando, -- Sebastião Antonio Bastos de Carvalho -- sempre desconfiou dessa história e, quando a vida lhe permitiu, após ter-se mudado para Niterói, lançou-se à pesquisa que outros não puderam fazer, ou não quiseram fazê-lo, fixando-se nas conclusões mais fáceis da imaginação -- e tomou conhecimento de fatos comprovados em documentos históricos oficiais, que lhe permitiram provar a evidência da falsidade da versão "romântica" da vida de Manoel Henriques, o Luva, referente ao aludido romance com D. Maria I.

Em seu livro O TESOURO DE CANTAGALO, Sebastião A.B. de Carvalho prova que Manoel Henriques, o célebre Mão de Luva, tinha mulher e filhos e ainda um enteado. Chefiava um clã, do qual faziam parte três irmãos, de nomes Antonio Henriques, Felix da Silva e Ignácio da Silva.

Em uma recente segunda edição (on line) do seu O TESOURO DE CANTAGALO, o sociólogo Sebastião A.B. de Carvalho prova, ainda, que Manoel Henriques não era português, mas brasileiro, nascido e criado em Ouro Branco, Minas Gerais, onde aprendeu o ofício de garimpeiro, e de onde partiu para a região do Macacu, pretendendo exercer sua atividade livre da perseguição oficial.

Outro ponto importante da história de Cantagalo é abordado e resolvido pelo autor desse livro: a origem do nome CANTAGALO.  Pesquisas recentes desse sociólogo provam que a denominação CANTAGALO nada teve a ver com uma pretensa delação de um membro do grupo do Mão de Luva, conforme afirma o historiador Acácio Ferreira Dias em seu livro TERRA DE CANTAGALO! Na verdade, não houve essa suposta traição, mas apenas o uso, por Acácio, de trecho do relatório de São Martinho, quando prendeu o Luva, adulterado pelo jornalista-escritor! O local há muito tinha esse nome, por ser onde, dentro de uma vastidão de florestas, criavam-se galináceos... Eis porque ali o galo cantava!...

        Assinala também o sociólogo-historiador (e prova!) que Mão de Luva era um homem religioso, que tratava bem os índios, ensinando os jovens a rezar.

Provando esses fatos, o livro O TESOURO DE CANTAGALO, conquanto singelo, constitui-se no mais importante documento da história de Cantagalo, porque restabelece a verdade dos fatos onde antes existia a deturpação que a falta de pesquisas adequadas e suficientes acarreta.

        Derrubada a tese "romântica" da vida do Mão de Luva, não há, contudo, motivo para tristezas por parte dos cantagalenses e demais habitantes dos municípios que pertenceram aos Sertões do Macacu -- pois a realidade de sua vida é, em seu desenrolar e em suas peripécias, ainda mais excitante e romântica do que o falso enredo por tanto tempo divulgado...

  Portugal e as áreas Proibidas

        A Coroa Portuguesa  esmerou-se no combate aos "facinorosos" que invadiam as chamadas áreas proibidas, na busca ao ouro e pedras preciosas. A energia com que o Governador de Minas ordenou a realização da diligência nos Sertões do Macacu, onde o Luva tinha o seu reduto, prende-se ao fato de ter sido pressionado pela Corte do Marquês do Lavradio, Vice-Rei do Estado do Brasil, que exigiu a destruição da mineração clandestina.  O Marquês havia recebido uma carta de Lisboa, com ordens análogas.  No documento, expedido de Lisboa em 21.01.1786, recomendava-se "uma ação conjunta Rio de Janeiro - Minas Gerais, a fim de se reprimirem, de uma vez,  as continuadas desordens e extorsões que se tem praticado no novo Descoberto do sertão de Cachoeiras de Macacu; estabelecendo-se os mais precisos meios porque deve ser desalojado daqueles sítios, pela tropa de Minas Gerais, o famoso Corpo de Contrabandistas e Extraviadores, que se tem ali congregado..."         

  Minas versus Rio de Janeiro

        Preso Mão de Luva e seus companheiros, e tomadas as providências referentes ao despojo da área, estabeleceu-se uma celeuma entre o Vice-Rei do Brasil e o Governador de Minas Gerais. 

        Destacamos um trecho de carta-denúncia do Vice-Rei, enviada a Portugal: "De tudo o referido, bem se conclui que o dito Governador de Minas Gerais, além da má fé com que se tem comportado em todo este negócio, do ódio, e má vontade que tem mostrado às Novas Minas do Macacu, em que esperava ter toda a intervenção, se tem inteiramente oposto às ordens de V.Excia., não querendo proceder contra os culpados, que se lhe recomendaram, nem remeter os escravos extraviadores apreendidos no Sertão, que foram levados para a Cadeia de Vila Rica, e aplicando por seu arbítrio à Real Fazenda daquela Capitania a importância do ouro, dinheiro, bens, e talvez dos ditos escravos, sem sentença que qualifique esta aplicação, preterida e desprezada toda a forma com que as leis mandam proceder em semelhantes casos..." 

  A herança do Luva, e o Tesouro de Cantagalo

        Falava-se de um certo tesouro, grande quantidade de ouro, que o Mão de Luva, sentindo a proximidade do fim, teria enterrado em lugar secreto, para posterior resgate.

         Conhecemos até uma gruta, localizada no município de Bom Jardim (que já pertenceu a Cantagalo) que é denominada de Gruta do Mão de Luva!  Este fato e alguns rumores aguçam a curiosidade, e podem alimentar cobiças.

           De nossa parte, preferimos ficar com a riqueza do que foi plantado por Mão de Luva: Desbravando a terra, organizou uma comunidade, o que veio provocar a posterior colonização dos Sertões do Macacu. Demonstrou tenacidade, coragem, para desbravar uma grande área; capacidade de trabalho, competência, para implantar um núcleo populacional... Soube lidar com escravos e com índios, tendo, inclusive, ensinado crianças indígenas a rezar... 

            Esta a herança do Luva, e o Tesouro de Cantagalo!

Leia o livro: www.nitcult.com.br/tesouro.pdf


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