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MEDITAÇÃO  - MahaYoga

 Bhagavan Sri Ramana Maharshi

 

Por Mahabhutani e Indrananda

BHAGAVAN SRI RAMANA MAHARSHI não conferiu às posturas ou asanas a importância que outros mestres deram. Não que fosse errado assim proceder. Mas cada mestre tem a sua tônica, e a do nosso Maharshi era voltada para outros aspectos, mais sutis, da prática do Yoga.

Em a NOVA DOUTRINA, seus discípulos se manifestam repetidamente sobre a necessidade imperiosa da Meditação. Eis alguns aforismos nela contidos:

1.4. O Discípulo, para ter o conhecimento do Caminho que vai percorrer, precisa conhecer certos ensinamentos, como ter a sua mente sossegada, não deixá-la que passeie de um lado para outro, porque só assim poderá ouvir o seu Eu Superior.

Aquietar a mente e impedir o fluxo desvairado de pensamentos, que se sucedem ininterruptamente, num intelecto cheio de idéias e teorias preconcebidas, que pretende ter todas as respostas -- é a primeira tarefa de quem quer adquirir o verdadeiro conhecimento de Si próprio. Somente pela Meditação é possível conseguir quebrar essa cadeia de pensamentos, que saltam de um lado para o outro, impedindo o alcançar de um Conhecimento que está além da razão condicionada. No momento em que isto é obtido, tudo muda, pois o homem penetra numa esfera superior, onde a Ilusão de Maya, do mundo material, se dissipa.

2.2. No ensinamento da Nova Doutrina, o Discípulo, para percorrer esse Caminho, não se exige que abandone o mundo, mas sim acabe com a Ilusão, porque, para segui-lo, não é preciso que viva repetindo para si próprio: "Eu sou um monge", mas simplesmente: EU SOU.

Muitos pensam que para praticar a Nova Doutrina seja necessário um afastamento radical do mundo, da vida material e das responsabilidades e mesmo dos prazeres naturais. Não! O que se exige do Discípulo é que pratique o desapego (não a renúncia) da matéria, das ilusões dos sentidos, da vaidade, do orgulho, do egoísmo -- e pratique a Meditação. Assim fazendo, poderá melhorar sobremaneira o seu desempenho na vida mundana, contribuindo para elevar a Humanidade, e avançando no sentido de conhecer o seu Eu Superior, que é o verdadeiro objetivo da Existência.

2.10. A liberdade de agir pode fazer com que o aspirante siga por uma das três vertentes: a da Ignorância, que se mascara em conhecimento; a do Correto Agir, que leva ao Caminho Perfeito; a da Sabedoria, que o faz escutar o seu Ser Interno e conduz à Iluminação.

Triste é a situação do homem versado nas ciências materialistas, e somente nelas acreditando como fonte de conhecimento! Pensando estar de posse de idéias e teorias que o levariam a um elevado patamar do saber, ele na verdade acha-se imerso e enredado na ignorância mais cruel: a que se mascara em conhecimento! Porque o Conhecimento Real é verdadeiramente inatingível através do chamado "método científico" ou que outro nome o dêem! Essencial é o uso de procedimentos das ciências sagradas, do Yoga, da meditação, para se chegar à compreensão deste imenso Universo Cósmico!

Apoiado somente em concepções materialistas, o homem desconhece o correto agir, não sabe o que representam as manifestações de Maya (Ilusão) e de Mara (Tentação), quedando-se presa fácil das dificuldades da vida. Fica assim impossibilitado de seguir o Caminho da Perfeição, definido pela Doutrina Milenar, onde seguem, firmemente ancorados em seus princípios, os que renunciaram às Ilusões e Tentações, escolhendo o Conhecimento e a Virtude.

Assim é que se chega à terceira vertente, aqui apontada para os que se iniciam na Doutrina, os quais, uma vez libertos dos liames próprios da vida mundana, da vaidade, do orgulho, do egoísmo, do apego à matéria e a seus frutos inferiores, -- buscam em seus Interiores, através da Meditação, aquilo que a traça não corrói, o ladrão não leva, nem o tempo destrói, que é o Real Conhecimento do SER.

3.5. No Caminho do Amor, tendo por base o Conhecimento e não a mente, renascerá no Coração a Felicidade Real, que atrairá a mente, transmutando-a no Amor Transcendente.

Uma grande transformação interna há-de acontecer quando o Discípulo se entregar ao Amor Incondicional, na busca do Ser Interno.

Sua mente, até então condicionada pelos mecanismos da matéria, abrir-se-á para um mais amplo horizonte. A partir daí, será o Conhecimento Real, obtido através da Meditação, que orientará sua pesquisa, no caminho do Amor Transcendental. Assim conhecerá ele a Felicidade Real, que reside no Coração do Ser Iluminado, sendo o coroamento de seus esforços rumo ao Samadhi.

3.6. Praticar a Nova Doutrina é libertar-se do emaranhado das filosofias e até religiões, para avançar firmemente em direção ao SER, que sempre residiu, e reside, no Interior de cada um, e ao mesmo tempo, na Imensidão ilimitada do Cosmos.

Filosofias e religiões existem para atender à necessidade de pesquisa que o ser humano alimenta, na busca incessante de sua identidade. Mas, através das idades, elas tem produzido uma infinidade de idéias e conceitos que, ao invés de ajudarem, atrapalham, pelo que engendram de confuso -- resultado de querelas inúteis, frutos de vaidades e orgulhos descabidos. A desorientação é flagrante, e pode ser notada até e principalmente nos ambientes mais intelectualizados -- de modo que, quanto mais versado em filosofias e religiões, o homem mais se aparta da Consciência Superior, que só pode ser obtida através da Meditação e da prática das Yogas.

Enquanto o estudioso se enclausura em seu falso conhecimento, o SER que habita seu Interior e ao mesmo tempo na imensidão cósmica, aguarda que ele finalmente desperte para a radiante realidade de Si Mesmo!

3.7. No caminho de flores multicoloridas, que trazem a luz do conhecimento, muitas vezes o caminhante poderá encontrar ervas daninhas e pedras pontiagudas que o deterão. Mas, se ultrapassá-las com determinação, conseguirá rever as flores que simbolizam a Luz do Conhecimento do seu Ser Superior, que em silencio o guiará até o final dessa caminhada.

Não basta encontrar o Caminho da Iluminação, com as delícias do Conhecimento Superior. É preciso que o caminhante persevere diante das dificuldades, e aprenda a distinguir o joio do trigo, ou seja, separar as ervas daninhas que se espalham entre as flores multicoloridas da Sabedoria, ultrapassando as pequenas dádivas das interpretações apressadas-- para prosseguir na busca da Grande Luz que ilumina a senda que o levará ao termo glorioso de sua Caminhada. Meditar, orar e confiar... Amar incessantemente, e trabalhar pela Evolução Consciente da Humanidade.

4.11. No Caminho do Conhecimento -- Sabedoria -- o Discípulo medita, conhece o seu Ser, e vislumbra duas vertentes. Na vertente do Agir, a liberdade de ação leva-o a entender que o Conhecimento Espiritual não o torna incapaz de viver no mundo material, mas sim de situar-se acima dele, praticando a maneira correta de agir. Na vertente da Sabedoria -- meditação -- ele adquire Conhecimentos Superiores que o tornarão capaz de evoluir a ponto de obter o Nirvana -- podendo ainda, se o quiser, regressar ao mundo para ajudar outros a também alcançarem essa Beatitude.

Diferentemente dos que postulam uma vida ascética, apartada do mundo material, nós entendemos que uma atuação consciente e desvinculada pode ser aí desenvolvida, com reais benefícios para todos. Apenas é preciso que o Discípulo utilize a capacidade de viver simultaneamente nos dois mundos, dando primazia ao espiritual.

Assim, não interrompe sua trajetória rumo à total Realização, e ainda ajuda outros a ingressarem e evoluírem na Senda.

7.4. O Discípulo que consegue, ao meditar, mergulhando no seu Ser, anular pensamentos e qualquer outra atividade, ele alcança, certamente, a auto-realização.

Sabemos que, enquanto estiver preso à corrente ininterrupta dos pensamentos, voltados para o mundo fenomenal, o buscador não conseguirá acertar os passos com os Discípulos aceitos pelo Guru.

É preciso fazer com que essa corrente seja interrompida -- através dos processos da Meditação -- para que a Realidade se apresente ao estudante, que, assim Iluminado, alcançará, sem dúvida, sua auto-realização, conhecendo o SER.

7.5. O significado do EU é DEUS, e a derivação, a direção do Eu Sou, é ficar quieto, porque a Meditação Profunda transcende o pensamento e a palavra. A isso chamamos de mouna, que é a fala eterna.

É no Silêncio que o EU se manifesta em toda sua pujança. Meditando, o Discípulo realiza tudo que tem de realizar, no cumprimento de sua sagrada missão. Calar o externo é tarefa fundamental, para que a Voz do Silêncio se manifeste, trazendo para a Vida, aquilo que está oculto, obscurecido pelas camadas psíquicas e emocionais da encarnação.

Todas as formas de manifestação situam-se num plano inferior e devem, portanto, ser caladas durante a meditação, e usadas com parcimônia em todas as oportunidades em que se mostrem indispensáveis. Discrição é uma regra áurea para o Discípulo.

9.1. Ao passar através de um processo de meditação búdica em toda a sua essência, o discípulo se transporta energeticamente pela transmutação da sua matéria, do seu corpo sutil, do seu corpo astral, do seu corpo etérico, deixando todo o invólucro que o imantava no mundo material, tornando-se apenas o Ser e conseguindo elevar-se de forma inconsciente -- espírito, passando por dimensões cósmicas variadas, chegando assim ao ponto de elevação do Ser Supremo, ao total desapego, sem ódio, vaidade ou qualquer outro sentimento nocivo à Doutrina. É chegada a hora de a sua Vontade Verdadeira tomar conta de toda a sua consciência, transcendendo a mais alta beatitude, e com Verdadeira Vontade e Consciência Plena atravessar o Abismo e, chegando do outro lado, receber a glória de ser alçado e reconhecido pela Grande Divindade, tornando-se um Buddha.

Embora os esforços do Discípulo sejam necessários, é pela Graça que ele pode progredir e atingir à Perfeição. Por essa razão, vemos o Caminho a partir de uma íntima associação do estudante com o seu Eu Superior, para que saiba como utilizar as potencialidades naturais, transmutando energias básicas, para que, produzindo vibrações de mais elevado teor, possa chegar aos estágios mais avançados do Caminho.

Os Mestres estudiosos da Doutrina tem, muitas vezes, concepções diferentes de aspectos da Realidade Espiritual, e ainda olham de ângulos diversos o processo ascensional dos aspirantes à Iluminação.

DHARMANAKAYA é o termo que utilizo para designar uma situação na qual o Discípulo, consciente de que tem uma missão a executar, busca unir todos os elementos disponíveis para torná-la realizável. Isto engloba uma perfeita sintonia com seu Eu Superior, pelo Coração e com a Graça da Divindade.

SAMBHODAKAYA é atingido quando o Discípulo, tendo conseguido conscientizar-se plenamente da responsabilidade de seu trabalho, tem permissão para reunir em si próprio, poderosas correntes energéticas, usando, para tanto, procedimentos secretos, que os Iniciados conhecem. Assim aparelhado e preparado, ele se qualifica para ingressar na próxima etapa, a seguir descrita.

NIRVANAKAYA que é a sacratíssima situação de um Ser liberto das cadeias do mundo material, e das armadilhas do espiritual, plenamente capacitado para orientar os homens na magna tarefa da elevação espiritual que é atingida com a imersão no Samadhi ou Nirvana.

As outras maneiras de descrever processos ou classificar estágios evolucionários, usados por alguns Iniciados, também estão corretas, o que pode ser constatado quando as analisamos dos pontos de vista de seus autores.


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